*Primárias em Júpiter
Depois de ter ganho as eleições no País que mais amo, a Parvónia Nacional-Socialista, uma República fundada à força de tiros, navalhadas nas costas e violações de todos os tipos, o meu amado povo entendeu que me deveria candidatar à chefia dos Estados Unidos da África e depois, do Universo pois que, as várias manifestações de apoio de que vou sendo alvo, indicam que tenho o perfil próprio para ser uma espécie de Chanceler do sistema solar que nos rege e cuja sede política e administrativa se situa, numa zona batida por ventos ciclónicos, num dos imensos continentes de Júpiter que, curiosamente, se chama Ginea.
A final, não seria muito difícil! Era o careca do nosso vizinho do norte, o Vade, aquele estupor que não quer vêr o nosso projecto de maior porto da África porque, pregou um calote medonho nas arábias e, no dia em que o nosso porto de Bibi começar a funcionar ele, Vade e o seu filho tão careca quanto ele, levam com a cimitarra dos arábicos nas tripas, que é uma alegria!
Quanto ao outro candidato, o Roberto Gabe, aquele senil lá do sul com um bigodinho à Hitler, é fácil, se começar o jogo com os seus diamantes de sangue, falo ao Edú e ele manda-me uns containers de camangas e faço-lhe a folha que é uma lindeza.
Depois, bom... será aquela estória da investidura com que sempre sonhei! Só de vêr aquele povo todo brilhante e com fatos domingueiros a beijarem-me o anel, até sinto arrepios que me sobem pela espinha e me descem pelo... Não digo porque é feio!!!
Então, não é que após aquela cerimónia maviosa, um dos meus esbirros vem-me dizer ao ouvido que aquela Juma de uma figa pretende discutir a presidência da União com o Pingo?
Fiquei furioso! A minha amantíssima esposa, que tem um perfil maravilhoso, ficará triste. Quanto às minhas dúzias de amásias, também ficarão tristes. Vou vêr se o Jamais e o Contafulas me apoiam. Esses energúmenos do sul vão vêr como elas cantam.
Se não fosse o Edú e o Abuso, ía até lá e, em dois minutos arrasava aquela porcaria da Azônia, também conhecida por Diamantina do Sul.
E querem saber que mais? Não é que marreco do Vade vai dizer em Adisabobô que eu não tinha perfil para as presidenciais dos Estados Unidos da África?
Vou ter mesmo que falar a sério com o Edú, ele certamente empresta-me um caças bombardeiros brasileiros e vai chover metralha até dizer chega.
Que raio de coisa!
Não me deixam em paz! Agora, são estes mecos semi analfabetos que me esfregam a Constituição no nariz com estórias do artigo 63, do 65 e do 71 nº 5 e outras atoardas jurídicas patéticas e que me fazem perder o sono mas, arrumo os gajos em dois tempos, basta dizer ao meu campeão de luta greco-romana que não agrave a carga tributária do arroz, do açucar e da farinha, para lhes comer as papas em cima dos cocorutos.
Esta ficção não obedece ao novo Acordo Ortográfico do Português.
Rui de Brito e Silva
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